Gênesis | Frágil insegurança

Anteriormente foi possível destacar o cuidado de Abraão com sua esposa. O quanto ele a confirmava e estimulava sua autoestima através de declarações de amor e elogios honestos. Porém, mesmo com a cumplicidade e união desse casal, vamos observar nessa passagem, alguns traços de insegurança por parte de Sara.

Ela tinha o desejo de ser mãe, então decidiu, planejou e convenceu o marido de que ele deveria gerar um filho com sua escrava Agar, que seria adotado pelo casal (Gênesis 16.2).

A dúvida que fica é a real motivação e o preparo do casal para adotar um filho, naquelas circunstâncias. Não sabemos se ela tinha a necessidade de ser legitimada através da maternidade, ou se tinha outros motivos. O fato é que a ideia dela foi posta em prática com o consentimento e a participação do marido.

Depois que o filho nasceu, Sara disse a Abraão que estava sendo desprezada pela própria escrava e ele respondeu que, pela sua posição de senhora de Agar, ela tinha todo o direito de repreendê-la por qualquer sinal de arrogância (Gênesis 16.6).

Precisamos entender que existe diferença entre ser desprezada e se sentir dessa forma. Para que alguém se sinta inferiorizado por outra pessoa, precisa permitir que isso aconteça e se comparar a ela. Ninguém consegue tocar em nossas emoções, ao ponto de nos diminuir, se estivermos seguros de quem somos.

O fato é que Sara era a única esposa de Abraão e senhora de Agar, mas talvez ela não estivesse se sentindo como tal. Os papeis daquela mulher deveriam ser complementares, pois, como mulher, ela era desejada, como esposa, ela era reconhecida e, quando se tornou mãe, ela deveria ter se sentido mais realizada, mas não foi o que aconteceu.

Vamos imaginar que antes de bolar o plano ela estivesse pensando o seguinte: eu sou incapaz, como mulher e como esposa.

Com o nascimento da criança, esse pensamento pode ter mudado para: minha escrava deu um filho ao meu marido, então ela é mais capaz do que eu.

Momentos de insegurança podem acontecer com qualquer pessoa, basta que uma ferida esteja exposta e seja tocada. Neste caso, a sua dor era não poder gerar um filho. E, com aquele plano, além de entregar a intimidade do seu marido a outra mulher, garantia que sua escrava fosse a provedora de algo que ela mesma não estava conseguindo.

A resposta de Abraão à Sara nos ajuda a entender essa dinâmica. Quando ele falou que Sara era senhora de Agar e que esta última estaria sujeita a sua mulher, ele a confirmou como sua única esposa e lhe deu total autonomia de decisão, sem ser indiferente ao problema.

O suporte de Abraão naquela hora foi muito importante, pois lhe ajudou a enxergar a situação de uma perspectiva mais adequada e colocou Sara em sua posição de direito.

Além de tudo isso, não podemos ignorar que quando um filho chega com a finalidade de resolver um problema do casal, ou mesmo individual, todos acabam sofrendo, inclusive a criança.

Gn.16.5 - Para discussao

·       Quantas vezes abrimos nossa intimidade para as pessoas erradas?

·       Isso pode abalar nossa segurança emocional?

·       Nós mesmos nos colocamos em uma posição inferior?

·       Ficamos expostos a todo tipo de ataque?

·       Quais as pessoas que nos ajudam nos momentos de fraqueza?

·       Quem nos faz sentir especiais?

Uma resposta para “Gênesis | Frágil insegurança”

  1. De fato, Sara viu uma esperança na escrava, para aliviar o grande desejo de ser mãe, Deus prometeu, mas a ansiedade a fez antecipar-se, confiando principalmente em quem não deveria. Ainda hoje as pessoas continuam agindo da mesma forma, Deus tem promessas para todos nós, e além do mais, tem promessas que Ele segreda em nossos corações, mas não sabendo esperar, nos antecipamos, e confiamos justamente nas pessoas que não devemos. Confiamos nossa intimidade, e ao contrário de recebermos auxílio para a situação, recebemos uma invasão em nossas vidas, querendo inverter papéis, como também tirar a autoridade de nós mesmos.
    E assim muitos se subjugam a outros, por confiarem nas pessoas erradas, como também, muitas vezes se tornam escravas delas se continuarem permitindo. Assim as suas emoções, ficam entregues e guiadas por pessoas que não deveriam estar nem por perto.
    Mas Deus é socorro bem presente,e nos dá sempre a chance de desfazermos o que está errado, é só crer. Nossas emoções se vacilarmos ficam nas mãos de Pessoas erradas por confiarmos demais.
    Não é só o nosso espírito (que precisa ser salvo) não é só ele que pertence a Deus, mas todo nosso ser, a alma (emoções) e corpo (o templo do Espírito), portanto devemos nos preservar, para termos aqui na terra vida saudável e plena, procurando cuidar bem das nossa vida e curá-la.

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