Gênesis | Tema delicado

A morte é um tema que ninguém tem prazer em discutir ou refletir, mas é uma realidade. Saber lidar com esse assunto nos coloca numa posição mais vantajosa para lidar com qualquer assunto da vida. Então, vamos utilizar o exemplo da morte de um homem que fez e ainda faz diferença para muita gente. Abraão morreu, mas antes, ele deixou tudo preparado para aqueles que iriam continuar a história (Gênesis 25.5).

Muitas vezes não conseguimos nem falar em morte, ainda mais nos preparar para esse momento. Abraão conseguiu. Ele usou sua sabedoria para ser justo na separação daquilo que possuía, fazendo planos para quem continuaria em vida. Ele expressou através dos seus bens um legado que seria muito mais que material.

Sabendo que Isaque era o filho da promessa de Deus, Abraão deixou tudo que possuía para ele e foi justo para não desamparar seus outros filhos. O momento da sua morte estava organizado para que não houvesse conflito entre irmãos, até porque ele mesmo era o precursor de uma promessa divina e sabia o que ela significava, não somente para ele, mas para Deus e para uma nação futura (Gênesis 25.6).

É difícil imaginar como devem ter sido os diálogos a respeito de um assunto tão delicado, mas inevitável. Como Quetura, sua mulher na época, reagia a esse assunto com relação a seus filhos e ao filho de Sara, já falecida. Abraão deve ter tido muita delicadeza ao tratar desse assunto, deixando claro que sua crença determinava alguns privilégios com relação a Isaque, mas sem diminuir ou ignorar a existência dos demais filhos.

O ato de fazer a partilha em vida deve ter sanado as dúvidas de todos e facilitado a compreensão da fé que dirigia a vida daquele homem. Além de sabedoria, não se pode deixar de perceber a sua coragem em enfrentar um tema que muitas vezes é deixado para a ausência do morto. Porém ele anulou o poder de qualquer dilema e deixou tudo pronto para partir.

A negação da morte acaba sendo algo positivo para pessoas que enfrentam doenças graves, pois elas precisam manter a esperança e, sem dúvida, a vida deve ser a prioridade do pensamento de qualquer ser vivo. Mas esse evento é inevitável e não deveria ser guardado em um compartimento secreto da família, no qual ninguém pode tocar, pois tudo aquilo que é oculto, quando vier à tona, trará dificuldades maiores de enfrentamento.

Embora a morte na velhice seja algo que a família espere como parte do ciclo natural da vida, ela nunca acontece sem estresse. E, mesmo havendo vários tipos de especialistas para lidar com esse tema tão delicado, a família continua sendo a principal fonte de apoio, antes e depois da morte de um parente querido.

Nunca será fácil falar sobre o fim de um relacionamento, sobre a partida de alguém, mesmo que haja esperança de reencontro. A sensação da perda e a saudade da partida nos consome e somente quem está vivendo essa experiência sabe do que eu estou falando. Só não podemos esquecer que todos que estão vivos e conscientes vão ter que lidar com isso algum dia.

Gn.25.8 - Para discussao

Perder alguém causa uma dor muito particular e longe de mim generalizar um assunto tão pessoal. Portanto, vamos apenas pensar no exemplo de Abraão, que tinha algo precioso a oferecer em sua sabedoria e fé, pois ele era considerado amigo de Deus, o que devia lhe garantir uma intimidade muito grande e ensinamentos de valores eternos. Vamos apenas refletir a respeito da ação deste homem, do seu preparo para um momento tão difícil, da sua preocupação com as novas gerações, do seu amor pela sua família e do seu respeito pela vida, pelo ciclo natural e por Deus.

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